terça-feira, 19 de julho de 2016

Sublime Graça

O poder sublime da musica

A música tem o poder de nos comunicar com a alma, lógico depende do que ouvimos ou cantamos.  Sou uma pessoa muito sensível  a percepção musical em geral, e a música  de adoração a Deus me faz sentir emoções e sentimentos que só um louvor sincero a Deus tem esse poder. 
Meu professor de Regência na universidade de Brasília,  David Junker em seu livro Panoramas da Regência Coral "TÉCNICA E ESTÉTICA " dedicou um capítulo especial a INTERPRETAÇÃO MUSICAL QUE LEVA A SENSIBILIDADE  ESTÉTICA  (GRAÇA SUBLIME). 
Algumas das citações contidas no livro: "a música é a voz do espírito" - Robert Shaw (compositor e maestro). "Não  há  limites para as sensações que música pode fazer você sentir... muitas vezes temos sentimentos tão profundos e tão    especiais que não há  palavras que possam decifrá - los e é isso que faz da música algo tão nós, porém a música os decifra com notas em vez de palavras" (Leonard Bernstein  1958 op.  Cit. Noble, 2005; p. 19). Junker  em seu livro relata experiências musicais que ele denominou de graça sublime.
Baseado no que aprendi com ele e na minha própria experiência musical vivida desde os meus 10 anos de idade dando um total de 26 anos, desde meu primeiro  aprendizado musical até hoje, pude ter as minhas próprias sensações musicais.
Nesse domingo no nosso momento de louvor pude sentir algo muito próximo dessa graça sublime, lembro me dê uma vez em que estava regendo a orquestra na outra igreja onde freguentava, que logo após o pastor distribuir a ceia foi dada a oportunidade da orquestra de tocar uma de nossas musicas, lembro me que a orquestra estava bem pequena e que eu estava muito receoso de tocar ao ponto de quase desistir de tocar naquele momento, mais algo dentro de mim me impulsionou que eu regesse a orquestra, lembro me  que fiz uma pequena oração e pedi a Deus que nos ajudasse naquele momento. 
A música escolhida por mim era uma muito conhecida no nosso  meio musical, Agnus Day, um arranjo feito por mim. Me coloquei na presença de Deus e pedi  que ele recebesse a nossa adoração através daquele louvor, a introdução tinha as cordas numa repetição de notas iguais em tempo rápido, logo depois o solo da música se iniciar na melodia com os saxofones e a trompa. Eu comecei  a sentir sensações que poucas vezes consegui através da melodia tocada pela orquestra, não consegui me controlar, chorava feito uma criança e era muita alegria naquele momento, alguns da orquestra  também, enquanto tocavam  as lágrimas corriam em seus rostos, assim como vários membros da igreja.
É algo que não tem uma explicação lógica, mais nada me tira da cabeça que é a atuação do espírito santo em nossas vidas.
Nesse domingo enquanto tocava  senti algo muito semelhante, talvez não na mesma intensidade, na música Quão grande é o meu Deus, e me fez relembrar os momentos que tive a mesma sensação,  não são muitos é verdade, mais são o suficiente para que eu tente reencontrar essa GRAÇA SUBLIME. 
Junker fala aos regentes, cantores, musicos, que pra alcançar a graça sublime é necessário a união de vários fatores: conhecimento musical profundo do regente, seu zelo em atingir a excelência musical, sua sensibilidade aguçada pra tratar das necessidades dos participantes, sua maneira de lidar com as pessoas envolvidas no fazer musical. Tudo isso é  importante é certamente são ingredientes necessário para a estética musical.
Contudo só isso não se consegue alcançar essa alegria aqui chamada de sublime graça, mas de saber reger, cantar, tocar com sentimento. Saber liberar a nossa vulnerabilidade sentimental  e emoções a quem pode melhor conduzi. Ao próprio Deus, e mesmo nas mais simples canções se entregar ao crivo de Deus se colocar de maneira efetiva de baixo da graça de Deus. Saber que se o Senhor não estiver em nosso louvor de nada adianta eu tocar bem, eu cantar bem. De nada adianta  se a soberba estiver em nossos corações. 
Façamos o nosso melhor trabalho, demos a Deus o nosso melhor, contudo façamos de coração aberto, com humildade, sem soberba. 
O próprio  Rei Davi , em 1 crônicas  13 versículo 8 preparou toda uma orquestra pra trazer  a arca da aliança, de volta à Israel, mais ele não cumpriu todos os rituais que a lei de Deus escrita por seu servo Moisés.  Deveria  ser uma música linda, mais não agradou a Deus, e a consequência foi a morte de Uzá. "Mas os israelitas tinham em suas mãos uma declaração compreensível da vontade de Deus em todas estas questões, e sua negligência a tais instruções desonrava a Deus. Em Uzá recaia a maior culpa de arrogância" (patriarcas e profetas,  p. 521).
Entreguemos nos a vontade de Deus e façamos o melhor de nossos corações. 

Romulo Benício Barbosa