1. VALORES MUSICAIS
Joel Barbosa (1996 p.39) em seu artigo
“¹considerando a viabilidade de inserir música instrumental no ensino de primeiro
grau” diz:
Apesar
dos esforços de vários educadores, incluindo o de Villa-Lobos através da música
vocal, a educação musical não tem recebido o seu devido valor na educação geral
dos alunos brasileiros até o dia de hoje.
Se esta negligência está presente em relação à educação musical através
da música vocal, quanto maior será a dificuldade em relação a Educação Musical
através da música instrumental; considerando que o custo da última é mais
elevado e sua viabilização exige pessoas com qualificações mais raras.
Também se leva um tempo maior na
formação de uma banda ou orquestra do que um coral. Um coral, e dependendo da
quantidade de ensaios e da organização do seu regente, em aproximadamente dois
meses já é possível se ter uma apresentação, enquanto que na banda levam-se, no
mínimo, seis meses, ainda sim muito precariamente.
Como escola que até o presente momento
só tem o ensino fundamental II, ainda teremos com o decorrer dos anos o ensino
médio. A frase de Joel Barbosa (1996) se aplica totalmente ao nosso caso, onde
temos as mesmas dificuldades descritas por ele em sua fala.
Conforme pesquisa feita em escolas
públicas, particulares e colégios militares em Brasília, o melhor meio de introduzir
a intimidade musical aos alunos é através da musicalização, seja feita com o
auxilio de flauta doce, da voz, de instrumentos de percussão, onde elementos
teóricos devem ser abordados para que o aluno tenha a noção do que se trata, mas
de forma a não desestimular o aluno a desistir do projeto. A metodologia aplicada
deve atrair a atenção dos alunos.
Partindo da sugestão do maestro da banda
do Colégio Militar de Brasília (CMB) e outras escolas observadas, o objetivo é
iniciar a musicalização utilizando a flauta doce, pois é um instrumento de
pouco custo, de fácil manuseio e ajuda muito os alunos iniciais. Uma das
dificuldades dos alunos é associar a leitura das notas com a contagem mental
dos tempos e a posição dos dedos na flauta doce, com uma metodologia
privilegiando a progressão de dificuldades do nível mais fácil para o mais
elevado gradualmente.
Musicalização infantil é uma tarefa bem
complexa e que pode ser introduzida de várias maneiras. O canto coral é uma
ótima possibilidade para se fazer a musicalização, sem contar que o indivíduo
se sente gratificado como pessoa quando da apresentação do coral, seja esta
apenas aos seus colegas de escola ou para outros públicos. Como estamos falando
de canto coral, o corista não necessariamente precisa ter um amplo conhecimento
musical, ou até nenhum, pois o que predomina nessa atividade é a imitação, no
caso de uma música previamente selecionada para o repertório, ou composição em
grupo, onde o professor é mais um orientador que propriamente um maestro
conduzindo o grupo.
Como o propósito é a criação de uma
banda musical inicialmente, Joel Barbosa (1996 p.39) escreve sobre o ensino coletivo de
instrumentos musicais:
“O
ensino coletivo de instrumentos musicais heterogêneos, pode ser um dos meios
mais eficientes e viáveis economicamente para inserir o ensino da música instrumental
no ensino escola de primeiro grau. Sua metodologia engloba atividades através
das quais o aluno desenvolve a leitura musical, o domínio instrumental, a
capacidade auditiva, as habilidades mentais e o entendimento musical. Seu baixo
custo, devido ao simples fato de se poder ter um único professor ensinando uma
classe de até 30 alunos de instrumentos diversos, em vez de se pagar um
professor para cada família de instrumentos”.
Por serem alunos que já se encontram a
partir 6º ano do ensino fundamental, estes já tem uma boa compreensão sobre a
escrita e fala da língua portuguesa, o que os habilita ao ensino da leitura
musical e com as aulas teóricas eles desenvolverão essa atividade começando do
zero até o nível em que o próprio aluno desejar, pois o professor trabalha com
a possibilidade de que o aluno aprenda o que lhe é proposto, mas é o aluno que
vai dizer aonde quer chegar.
Nessas atividades escolares há alunos
que se destacam, que se tornam músicos profissionais, mas este não é o
objetivo. Se houver algum que chegue a se profissionalizar foi um algo a mais
que o professor conseguiu incentivar.